Tecnologia e hábitos influenciam escolha e arrumação de criados-mudos

Mesinha

Imagine o criado-mudo, uma modesta peça doméstica que, apesar de tudo, oferece um retrato conciso das aspirações, ansiedades e desejos humanos na medida a ser esperada nos idos de 2013: uma bagunça.

Repare, por exemplo, no emaranhado de eletrônicos e outros itens que zumbem perto da cabeça de David Rose – 46 anos, cientista convidado do Laboratório de Mídia do MIT – enquanto ele dorme ou, mais frequentemente, não dorme. Rose, que inventou a tecnologia que embute interfaces digitais em objetos como lâmpadas e armários , tem nas mesas de cabeceira que ladeiam a cama onde dorme com a mulher: um monitor de sono Zeo, uma luminária da Philips (que escurece quando ele está quase dormindo), um telefone sem fio, um iPhone, um alto-falante em coluna da Bose  (que sua esposa usa como carregador de celular), um relógio de pulso e algumas brochuras. Está tudo atolado nas superfícies de 61 cm x 46 cm de um par criados-mudos da Ikea que ele e sua esposa têm há décadas.
Tecnologias insones

Todavia, nos últimos 50 anos, a adição de novas tecnologias tem perturbado este pequeno espaço, já lotado. Designers e fabricantes estão tentando descobrir como mediar tal bagunça.
Por exemplo, a designer Robin Standefer propõe uma analogia: “[o criado-mudo] é como aquele novo avião”, diz referindo-se ao Boeing Dreamliner, “tem todos aqueles aparelhos eletrônicos, todas aquelas funções e está ficando cada vez maior. Eu tenho uma relação complicada com as mesas de cabeceira, quero que elas sejam de alguma forma ‘serenas’. Quero olhar para o móvel, quando estiver com a cabeça no travesseiro, e não enxergar uma vitrine”.
mesinha à direita
Pesquisas sobre a qualidade do sono confirmam a invasão digital no quarto. No estudo mais recente da Fundação Nacional do Sono dos EUA – um grupo sem fins lucrativos dedicado à “saúde do sono”-, conduzido em 2011: 72% dos pesquisados relataram que levam seus telefones para a cama; 49% disseram que levam um computador ou tablet e 13%, um leitor digital. Em 2010, uma pesquisa da Pew Research descobriu que 90% das pessoas entre 18 e 29 anos dormiam com seus celulares próximos à cama.
Mesinha esquerda
E parece que estes dispositivos estão reforçando todo o tipo de comportamento entre quatro paredes. Por exemplo, em uma reportagem sobre decoração de quartos, em edição recente da Revista GQ (norte-americana), os leitores são advertidos a não verificar seus smartphones depois do sexo. “Sabemos que olhar o seu telefone é o novo fumar depois do sexo”, diz a legenda, “mas espere pelo menos até que ela saia do quarto”.
Fonte: UOL
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