Conheça o bairro: Macuco

JC de Carvalho - Macuco

O macuco bateu asas e nunca mais voltou. O pássaro que deu nome ao bairro santista é uma lembrança dos moradores mais antigos daquele pedaço da Cidade, onde ainda hoje se cultivam tradição e fortes laços de amizade.

Embora não tenha sumido porque ganhou o céu, uma vez que é considerada uma ave pesada e sem muito jeito para voar, a realidade é que o desmatamento foi a principal razão que contribuiu para nunca mais se escutar o piado dessa espécie.

Por ser costumeiramente caçada, o açougueiro Francisco Manoel Sacramento, proprietário de glebas naquela região no século 19, acabou adotando o nome do pássaro e repassando-o para seus descendentes, segundo registro do Dicionário de Curiosidades de Santos, de Olao Rodrigues.

Um dos moradores mais antigos do Macuco, o italiano Antônio Miguel Michellon, 83 anos, disse que nunca o viu, mas quando era menino escutou histórias sobre o pássaro que costumava beber água em uma pequena vala que existia perto de onde é hoje a esquina da Avenida Siqueira Campos (Canal 4) com a Rua Capitão Alberto Mendes Júnior.

Testemunha da evolução do bairro, principalmente do pedaço da Bacia do Macuco, onde possui uma pequena oficina de caminhões, Michellon chegou ao bairro quando o presidente do Brasil era Juscelino Kubitschek(1956-1961), depois de ter trabalhado muitos anos como mecânico em navios.

Ele disse que o lugar era perigoso porque havia freqüentemente assaltos. “Antes do regime militar (1964), era grande o banditismo. Estava cheio de caras que faziam a vida com arma na mão. Matavam um por hora para pegar dinheiro de quem trabalhava embarcado”.

Católico apostólico romano (como gosta de se definir), ele carrega sempre o que a sua mãe dizia: “Machuque a ti, mas nunca machuque o próximo”. Muito querido pelos vizinhos, que o admiram pela vitalidade e espírito de camaradagem, Michellon considera que hoje o bairro é mais aprazível para morar por causa da infra-estrutura, que melhorou em relação ao passado.

 

macuco

Do alto de um edifício de 25 andares com 88 metros, na Rua Campos Melo, uma visão parcial do bairro/2010

 

Era o maior de todos – Até os anos 50, era o mais habitado de Santos, com cerca de um terço da população santista, a maior parte formada pela classe operária que trabalhava no Porto. Atualmente, tem cerca de 21 mil pessoas, ou seja, quase 5% do total de habitantes da Cidade.

Além de populoso, era também o maior em dimensões. Antigamente, se estendia do Entreposto de Pesca da Ponta da Praia até o Mercado Municipal. Hoje, está reduzido em seu tamanho devido a mudanças no Plano Diretor, ficando no perímetro que compreende as avenidas Afonso Pena, Siqueira Campos, Rodrigues Alves e as ruas João Alfredo, Xavier Pinheiro e Campos Melo.

Apesar do avanço desordenado de pátios de contêineres e tráfego intenso de carretas, alguns imóveis antigos resistem às mudanças das características do bairro, que é também berço de três escolas tradicionais de samba (X-9, Brasil e Padre Paulo).

Moradores demonstram satisfação com as transformações ocorridas ao longo dos anos. A pensionista Vera Lúcia Constantino de Aguiar, 66 anos, é do tempo em que as ruas do bairro eram quase todas de terra batida, do Carnaval de rua e das festas juninas.

“Quando vim para cá nem havia energia elétrica na rua”, diz Vera, que mora nas casas populares construídas na década de 40. “Gosto muito daqui, criei filhos e fiz amigos. A vizinhança é muito boa, parece família”. Ela mora ao lado da Igreja São Jorge Mártir, construída nos anos 60, na Praça Rubens Ferreira Martins.

“A igreja foi um elemento aglutinador dos moradores das casas populares”, diz o padre Francisco José Greco, pároco da igreja. Embora tenha mudado o perfil da população, o bairro preserva vínculos de amizade entre os atuais moradores, que podem ser comprovados com conversas nas calçadas ou saudações gentis quando se cruzam.

Fonte: Novo Milênio

 

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