Cinema: Noé e Rio. Dois lançamentos que você não pode deixar de ver.

Confira grandes lançamentos do cinema. Uma boa pedida para curtir durante o final de semana. Confira as  críticas, faça sua escolha e bom filme.

Noé

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A religião, e especificamente a necessidade de reinterpretar as escrituras sob a urgência dos nossos tempos, está presente nos filmes de Darren Aronofsky desde curtas como Protozoa (1993) até em longas como Pi(1998) e Fonte da Vida (2006). Embora Noé (Noah) tenha toda a cara de uma aventura bíblica nos moldes de clássicos como Os Dez Mandamentos  (1956) – e o filme de Aronofsky seja competente nesse sentido, como épico de ação – sua versão do Dilúvio inevitavelmente passa pela mesma reinterpretação.

É na tentativa de fazer um blockbuster com um viés modernizante, ambientalista, que o cineasta conta a história de Noé, escolhido por Deus para salvar todos os animais quando o Criador se “arrepende” de ter dado ao homem o domínio do planeta. A versão adulta de Noé, interpretada por Russell Crowe, surge no filme coletando musgo com uma lâmina pequena como se fosse um cuidadoso biólogo, enquanto seu nêmesis, também descendente de Adão, Tubal-Cain (Ray Winstone), reina entre os homens com o talento para a mineração e com a ânsia dos extrativistas.

Aronofsky e o corroteirista Ari Handel foram buscar na Bíblia a figura de Tubal-Cain – nome associado nas escrituras à sua vocação como ferreiro e armeiro – para criar esse antagonismo. Não se faz um filme-catástrofe só com um dilúvio; todo blockbuster precisa de heróis e vilões, e Tubal-Cain é o Coronel Quaritch desta Pandora específica. Da mesma forma, ao recorrer ao apócrifo Livro de Enoque para aproveitar os anjos caídos do Velho Testamento e criar no filme o elemento dos Vigilantes, o cineasta coloca em ação gigantes de pedra que dão um tom de fantasia à O Senhor dos Anéis para seu épico.

No “Gênesis” a história da Arca tem apenas três páginas, e parece muita ingenuidade, de qualquer forma, esperar que Hollywood coloque promessas de fidelidade literária acima de seu senso de espetáculo. Em Noé, o espetacular está sempre presente, seja nas afetações new age das digressões de Aronofsky (ainda não me conformei que não toca “Age of Aquarius” no final), que visualmente aproximam Noé de Fonte da Vida, seja na escala das coisas. A decisão de construir a imensa arca de fato num set se faz sentir; na tela a missão de Noé parece colossal de verdade.

 

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O problema do filme é localizar e definir o elemento humano no meio disso. O roteiro se esforça para afinar a história com o chamado Design Inteligente – a cena em que Noé reconta à sua família a origem do mundo parece saída da série de TV Cosmos  e visivelmente tenta conciliar Criacionismo e Evolução – mas não há, no fundo, apesar dos esforços dos realizadores, um drama com que o espectador possa se relacionar. O arco dramático de Noé não é nenhum No Coração das Trevas; sua loucura não é gradual, o que muda basicamente é apenas seu penteado, e ele abraça o fundamentalismo a partir do terceiro ato sem se questionar de verdade.

E é aí que aquela operação inicial de contrapor uma figura heroica e um vilão arquetípico (Noé e Tubal-Cain) entra em curto-circuito. Noé não é um herói exatamente; ele vive com as consequências angustiantes de seus atos não porque fez escolhas erradas e aprendeu com elas – a jornada clássica do herói – e sim porque seguiu as ordens que recebeu. Quando ele entende, ao fim da chuva, que Deus lhe “pede” que seja implacável na sua missão, essa é uma leitura fundamentalista que Noé faz diante do silêncio divino – e nesse momento o épico Noé talvez já pedisse (e sua família sem dúvida pede) que ele fosse, se não um humanista, pelo menos um herói em transformação.

Darren Aronofsky nasceu judeu – religião que difere do Cristianismo, entre outras coisas, pela disposição em questionar o “salto de fé” dos católicos – e hoje se diz ateu. Ele se interessa pela religião com esse olhar externo de quem cresceu nutrindo a dúvida, embora o moralismo em alguns de seus filmes não deixe de ser um substituto aos dogmas religiosos. São essa inconstância e esse paradoxo – acreditar no livre-arbítrio e ao mesmo tempo impor uma moral aos seus personagens – que tornam seus filmes interessantes, e com Noé não é diferente.

 

Fonte: Omelete

 

 

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Rio 2

 

Divulgação

Ecologia para crianças.

Três anos depois de sua primeira aventura, Blu e seus amigos voltam ao cinema a tempo de mostrar mais um pouco do Brasil para o mundo às vésperas do momento que o país estará mais em destaque.

Levando a aventura para a Amazônia, “Rio 2” é uma continuação divertida que tem seus tropeços, mas que não fica sem assunto, especialmente para falar de ecologia.

 

Linda (no original, Leslie Mann) e Tulio (Rodrigo Santoro), em uma viagem à Amazônia, fazem uma descoberta incrível: Blu (Jesse Eisenberg) e Jade (Anne Hathaway) podem não ser as últimas Ararinhas Azuis do mundo. A descoberta chama a atenção do casal de pássaros, que junto de seus filhos e seus amigos seguem para encontrá-los. Chegando lá, Blu se depara com uma série de problemas: além do galante Roberto (Bruno Mars) amigável demais com Jade, passa a ter que se preocupar com o sogro Eduardo (Andy Garcia), que não gosta de seus hábitos da cidade.

Ao mesmo tempo, um grupo de madeireiros ilegais se preparam para deter Linda e Tulio, já que a descoberta dos pássaros acabaria com seus negócios. Alheio a tudo isso, a cacatua Nigel (Jemaine Clement), encontrando Blu e seus amigos, passa a colocar em prática um plano de vingança, nem que tenha que segui-lo até a Amazônia.

Se pareceu para você que muita coisa está acontecendo ao mesmo tempo, é porque realmente está. “Rio 2” aposta em diversos sub-enredos que se juntam no final, nem sempre necessariamente bem.

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Blu continua atrapalhado e diverte o público pelo seu jeito ingênuo. A vida na Amazônia é ainda mais hostil que o que ele viveu nas árvores do Rio de Janeiro, o que leva a diversas piadas com suas tentativas de adaptação, em especial quando ele insiste em levar por aí uma pochete.

Não espere grandes surpresas da história, que apesar de ter diversos conflitos, segue por caminhos bem óbvios. Quando vemos Blu ganhando um rival e tentando conquistar a simpatia do sogro, não é difícil de lembrarmos de inúmeros outros filmes e animações que já usaram enredos bem parecidos.

Ainda assim, alguns personagens novatos na franquia como seus filhos Carla (Rachel Crow), Bia (Amandia Stenberg) e Tiago (Pierce Gagnon) adicionam um pouco mais de variedade à fórmula e evitam que fiquemos saturados com o protagonista.

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A transição de ambiente não foi sem perdas: o buldogue Luiz quase não tem tempo de tela, e o menino Fernando aparece por meros segundos, apenas para sabermos como anda. De certo modo, cortar personagens até que foi uma decisão inteligente, já que, no geral, a animação sofre de um excesso de personagens.

Como se não bastasse Blu e Jade, mais seu trio de filhos, seu trio de amigos, mais os humanos Linda e Tulio, entram em cena o bandido madeireiro, Nigel e seus comparsas, Eduardo e as outras araras… e isso é simplificando a lista, já que não faltam personagens secundários nomeados. O resultado é que muitos dos personagens acabam simplórios ou servindo apenas de suporte para Blu. As crianças dificilmente vão se incomodar, mas não duvido que se percam na hora de lembrar de todos.

O trio de malandros Nico (Jamie Foxx), Pedro (will.i.am) e Rafael (George Lopez) tem um sub-enredo próprio, procurando uma atração para o carnaval, mas essa história tende a ser mais um alívio cômico para o enredo principal do que qualquer outra coisa. Não que não seja divertido – alguns dos melhores momentos são exatamente as interações dos secundários – mas elas pouco contribuem com o andamento da trama principal.

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Se no primeiro filme a ideia era mostrar o Rio com toda sua variedade, aqui o assunto vai além, permitindo, em ano de Copa do Mundo, que vários cenários do Brasil sejam explorados até que o grupo chegue à Amazônia.

Chegando lá, esqueça os traficantes de animais – agora a preocupação é mais ampla, tratando do desmatamento e de como isso afeta o meio-ambiente e, claro, os animais. Não há o lado “chato” do assunto, traduzindo tudo de uma maneira direta e clara para que a criançada possa entender: os vilões querem a madeira da floresta e nem se importam com os animais ou com os “eco-chatos” que possam atrapalhá-los. Simples, direto e sem ficar piegas, mas ao mesmo tempo tornando real e mostrando a preocupação que tantas campanhas de conscientização tentam passar.

A maior parte do humor vai agradar bem mais as crianças do que os adultos, e o enredo apela sempre que possível para a patetice de Blu ou outras tiradas simples. Nigel é cheio de um dramatismo exagerado, afetado, e várias piadas com Shakespeare que vão agradar os mais velhos. O tamanduá Carlitos é uma encarnação dos trejeitos de Charlie Chaplin que divertem quem quer que seja, mas que serão especiais para aqueles que já viram seus filmes.

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Em português, a dublagem continua com sua excelente qualidade, em especial nas músicas. Nossas versões são envolventes e ainda que não sejam necessariamente inesquecíveis, animam a platéia na hora do filme, em especial quando acompanhadas dos números de dança dos pássaros. O 3D acaba sendo de pouca valia, só garantindo algumas vantagens nos momentos musicais que trazem mais elementos em tela. Além das coreografias voadoras complexas, vemos flores, folhas e muito movimento que impressionam mesmo sem o efeito.

Se quiser se arriscar em uma das poucas sessões legendadas, poderá curtir o talento de vários nomes de Hollywood, mais uma música original cantada por Bruno Mars. Na dublagem nacional, sua canção ganhou uma versão adaptada, então se você é fã do músico provavelmente vai curtir mais ver em inglês.

Pode levar os pequenos sem medo, com certeza vão se divertir. Os adultos que curtem animações não terão muitas novidades em termos de humor ou enredo, então pode ser que esta não seja uma prioridade para muita gente.

 

Fonte: Blogs POP

 

 

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