Superendividado?

 

Usar o crédito sem necessidade pode levar o consumidor ao superendividamento. Nessa situação, segundo o Procon, a  pessoa fica impossibilitada de pagar com o seu rendimento mensal o conjunto de suas dívidas vencidas ou a vencer, sem prejuízo grave do sustento próprio ou de sua família.

“Quando chega nesse ponto, se a pessoa pagar todas as dívidas que tem, ela simplesmente não come”, diz Vera Remedi, coordenadora do Núcleo de Tratamento do Superendividamento do Procon-SP.

O núcleo é responsável, em conjunto com o Cejusc (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania) do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, pelo PAS (Programa de Apoio ao Superendividado), que dá orientações aos devedores.

Fernando Cosenza, diretor de Sustentabilidade da Boa Vista SCPC, empresa que promove a campanha Acertando suas Contas, em que credor e devedor renegociam as dívidas diretamente, diz que dever não é crime.

“O devedor deve manter a cabeça erguida, não se esconder, nem ter vergonha de conversar com o credor e com a família para acertar a situação”, diz.

A Serasa Experian também possui um programa para ajudar a limpar o nome.

 

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A advogada Irene Serenário, do escritório Imaculada Gordiano Sociedade de Advogados, afirma que as relações que envolvem consumo são sempre passíveis de negociação. “Se não conseguir fazer renegociação da dívida com o credor, é possível entrar com uma ação judicial para analisar esse contrato”, diz.

Antes de entrar com ação, porém, ela diz que o devedor deve procurar o credor assim que perceber que sua capacidade financeira diminuiu e houver a certeza de que não irá conseguir pagar. “Ao buscar o credor, o devedor demonstra a sua boa-fé em pagar a dívida”, diz. “Sugiro que a pessoa deixe tudo por escrito, pois são provas.”

A advogada diz que assim que houver a renegociação da dívida e o primeiro pagamento, o nome já deve ser retirado do cadastro de inadimplentes. Se o credor entrar com uma ação judicial de cobrança da dívida, o devedor poderá sofrer restrição em suas contas bancárias e até perder algum patrimônio.

Veja, a seguir, orientações de especialistas para renegociar as dívidas.

10 passos para renegociar suas dívidas
  • 1
    Procure o credor 

    Ao perceber que não vai poder pagar, já procure o credor antes da inadimplência. Se houver acordo, deixe tudo por escritoFoto: Getty Images

  • 2
    Entenda o que deve 

    Liste todas as suas despesas: água, luz, telefone, alimentação. Verifique quais são as suas dívidas (cartão de crédito, cheque especial, financiamentos, lojas, cheques sem fundos, condomínio)Foto: Getty Images

  • 3
    Corte o que não precisa 

    Corte supérfluos e reduza despesas, aquelas que você pode ficar sem fazer por um período. Faça as contas e veja o que sobra para pagar as dívidasFoto: Thinkstock

  • 4
    Histórico detalhado 

    Em uma carta, solicite ao credor o envio de dados detalhados da dívida como saldo devedor atualizado, encargos, total de parcelas pagas e faltantes, taxa de juros contratada, período de inadimplênciaFoto: Getty Images/iStockphoto

  • 5
    Troque dívidas caras por baratas 

    As dívidas caras não são as que têm uma parcela maior, mas os juros mais altos, pois elas crescem rapidamente, como é o caso de cheque especial e cartão de crédito. Essas devem ser renegociadas primeiroFoto: Getty Images

  • 6
    Evite intermediários 

    Negocie diretamente com os credores o mais breve possível. Fuja de ofertas do tipo “limpe seu nome sem pagar a dívida”, pois isso é fraude. Se precisar de orientação, procure Procon, SCPC, Serasa Experian ou advogados de sua confiançaFoto: Getty Images/iStockphoto

  • 7
    Só pague o que pode 

    Quando for renegociar a dívida, esteja certo de que pode pagar o que propôs. Não adianta renegociar e depois começar a dever de novo, pois piora a situação. Uma nova dívida leva o nome para os cadastros de inadimplentes por mais cinco anosFoto: Rodrigo Capote/Folhapress

  • 8
    Cancele cheque especial e cartão 

    Essas são as linhas de crédito mais caras do mercado. Nunca pague apenas o rotativo do cartão de crédito. O uso correto do cartão de crédito é comprar apenas o que pode pagar no dia do vencimento. Se não consegue fazer isso, cancele o cartão e use outras formas de financiamento, como empréstimo consignado e empréstimo pessoalFoto: Thinkstock

  • 9
    Compre à vista 

    Depois de acertar as dívidas, passe a cultivar bons hábitos, como sair de casa com o dinheiro “contado”. Se precisar comprar algo mais caro, deposite numa poupança o valor das prestações que iria pagar se usasse o crédito. Assim, poderá comprar à vistaFoto: Rafael Hupsel/Folha Imagem

  • 10
    Poupança de emergência 

    Passado o sufoco, habitue-se a guardar ao menos 10% da renda para formar uma poupança para emergências e para o futuroFoto: Thinkstock

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